O edital abre, você tenta entender o que cada campo pede, na terceira página já trava. O projeto é bom. A questão é que existe uma linguagem específica que o avaliador precisa encontrar em cada seção, e isso não está explicado em lugar nenhum do regulamento.
Então você começa a escrever assim mesmo, sem saber bem se está no caminho certo. Tenta montar a justificativa com as palavras que parecem fazer sentido, o orçamento no formato que você acha que é o certo, as metas como consegue. Vai empurrando com a barriga porque o prazo não espera, até que chega um ponto em que você simplesmente envia, com aquela sensação de que faltou alguma coisa, mas sem saber exatamente o quê.
O resultado sai e... reprovado. E o pior: sem explicação clara de onde o projeto perdeu pontos. Você fica com a ideia boa na mão, mas com dias de trabalho perdidos e sem resposta concreta para a próxima tentativa.
Na próxima vez o ciclo começa de novo. Abrir o PDF, tentar, travar, escrever no escuro, enviar com dúvida, esperar. Ou o prazo fecha antes de você terminar e você nem chega a submeter.
Isso não acontece porque você não sabe escrever. Acontece porque escrever para edital é uma habilidade técnica específica que nenhuma escola de arte, conservatório ou faculdade de artes ensina. O músico aprende harmonia. O ator aprende técnica corporal. O campo "democratização do acesso" de um edital da PNAB? Ninguém ensina o que o parecerista precisa encontrar ali para dar nota máxima.